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Esporotricose em gatos na Grande BH: sinais e cuidados

Gata tricolor recebendo carinho dentro de uma caminha

Ferida que não cicatriza em gato merece atenção na Grande BH. Em 2025, segundo balanço da Prefeitura divulgado em setembro, Belo Horizonte registrou 650 casos de esporotricose em gatos e 179 em pessoas. As cidades que atendo fazem parte da mesma região metropolitana, e Santa Luzia e Vespasiano fazem divisa com a capital, então o cuidado vale para toda a região.

A mensagem principal, porém, é tranquilizadora: a esporotricose tem tratamento, e tratar o gato também protege a família. Neste guia, explico os sinais, o diagnóstico, o tratamento e os cuidados em casa.

O que é a esporotricose e como ela passa?

É uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix, que vivem no solo, em plantas e em matéria orgânica em decomposição. Hoje, o gato é o principal transmissor da doença no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Entre gatos, o fungo passa principalmente em brigas, arranhões e mordidas. Por isso, gatos que saem de casa, andam longas distâncias e brigam por território, sobretudo os machos, se expõem mais. Para as pessoas, a transmissão acontece por arranhão, mordida ou contato da pele machucada com as feridas e secreções do gato doente. Cães também podem ter esporotricose, mas com bem menos frequência que os gatos.

Quais sinais observar no gato?

  • caroços firmes na pele que depois se abrem em feridas;
  • feridas que não cicatrizam, com sangue ou pus;
  • lesões no focinho, nas orelhas, em volta dos olhos, nas patas e na cauda;
  • nariz inchado, espirros e secreção nasal;
  • perda de apetite, emagrecimento e prostração.

Os sinais podem surgir semanas depois do contato com o fungo. Segundo o guia do CRMV-MG, o período de incubação vai de 3 a 84 dias, com média de 21. Ou seja, um gato que brigou há um mês pode aparecer com a ferida só agora.

Outras doenças de pele causam feridas parecidas, por isso a confirmação depende de exame. O atendimento em dermatologia ajuda a diferenciar cada caso.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com material colhido da própria ferida. Os exames mais usados são:

  • citologia: uma lâmina é encostada na ferida e o material é analisado ao microscópio. É rápida e, nos gatos, costuma encontrar o fungo com facilidade, porque as feridas concentram muitos fungos;
  • cultura fúngica: o material é colhido com swab e o fungo é cultivado em laboratório. É o exame de referência;
  • histopatologia: análise de um pequeno fragmento de pele, reservada para casos específicos.

Na visita do atendimento para gatos em casa, examino o gato e colho o material da ferida usando luvas e avental, sem o estresse do transporte. Uma foto enviada por mensagem ajuda a organizar a visita, mas não fecha o diagnóstico.

Como é o tratamento?

O tratamento é feito com antifúngico por via oral, prescrito pelo veterinário, e costuma durar meses. Ele não termina quando a ferida fecha. Segundo o CRMV-MG, o remédio deve continuar por pelo menos um mês depois que as lesões desaparecem, e a Prefeitura de Belo Horizonte orienta manter o tratamento por mais um a dois meses após a cicatrização. Parar antes da hora favorece a volta das lesões.

Durante o tratamento, o gato passa por reavaliações e por exames de sangue periódicos, porque o antifúngico mais usado pode sobrecarregar o fígado. Para gatos difíceis de medicar, oriento a melhor forma de dar o remédio, às vezes misturado a um pouco de alimento úmido. Se for preciso ajuda com a medicação ou com curativos, faço isso na sua casa, no serviço de medicação e curativos em casa.

Em Belo Horizonte, a Prefeitura trata gatos com esporotricose no Complexo Público Veterinário, com medicamento, acompanhamento mensal e ração úmida sem custo para o tutor. Quem mora na capital pode buscar informações nos canais da Prefeitura.

Como cuidar do gato em casa sem se expor?

  • Use luvas descartáveis e roupa de manga comprida para segurar o gato, dar o remédio, limpar as feridas e limpar o ambiente.
  • Deixe o gato em um cômodo só dele durante o tratamento, sem acesso à rua, com caixa de areia, água e comida próprios.
  • Limite o contato ao necessário, de preferência feito por um adulto saudável.
  • Limpe o chão e as superfícies onde ele fica com hipoclorito de sódio, o princípio ativo da água sanitária, sempre de luvas.
  • Para ir ao veterinário, use caixa de transporte coberta.
  • Se alguém for arranhado ou mordido, lave bem o local com água e sabão ou antisséptico e procure atendimento médico, contando sobre o gato.

Separe o gato doente dos outros animais da casa e peça avaliação também para os que conviviam com ele.

Por que manter o gato em casa e castrado?

A rua é onde o gato briga, arranha e é arranhado. Segundo o guia do CRMV-MG, manter o gato sem acesso à rua e castrá-lo é fundamental para evitar a infecção e a reinfecção. Gatos castrados tendem a sair menos de casa e a brigar menos por território. Telas nas janelas e no quintal ajudam o gato a ficar em casa com segurança.

Abandonar o gato doente resolve?

Não. O abandono de animais é crime e, no caso da esporotricose, só espalha a doença: o gato sem tratamento sofre, continua transmitindo o fungo e contamina o ambiente. A Prefeitura de Belo Horizonte lembra que o abandono agrava o surto.

Se estiver difícil manter o tratamento, fale comigo. Dá para ajustar a rotina de medicação e de cuidados à realidade da sua casa.

E se o gato morrer?

É um momento difícil, e há um cuidado importante a tomar. O corpo de um gato que morreu com esporotricose não deve ser enterrado, deixado em terreno baldio nem jogado no lixo, porque isso favorece a permanência do fungo no ambiente. A orientação do Ministério da Saúde, da Prefeitura de Belo Horizonte e do CRMV-MG é destinar o corpo à incineração ou à cremação.

Manuseie o corpo com luvas e coloque-o em saco plástico bem fechado. Em Belo Horizonte, o serviço de controle de zoonoses faz o recolhimento para incineração. Nas outras cidades, informe-se com a Prefeitura ou com um crematório de animais.

Resumo

  • Ferida que não cicatriza, nariz inchado ou espirros: avaliação veterinária.
  • Diagnóstico com material da ferida, e não por foto.
  • Tratamento longo, sem parar quando a ferida fecha.
  • Luvas, manga comprida e gato isolado em um cômodo durante o tratamento.
  • Arranhão ou mordida: lavar o local e procurar atendimento médico.
  • Gato em casa e castrado, e nunca abandonado.
  • Morte por esporotricose: incineração ou cremação.

Perguntas frequentes

Esporotricose em gato tem tratamento?

Tem. O tratamento é feito com antifúngico por via oral, prescrito pelo veterinário, e costuma durar meses. O remédio continua por algumas semanas depois que as feridas fecham, e o gato passa por reavaliações e exames de sangue periódicos. Interromper antes da hora favorece a volta das lesões.

Fui arranhado pelo meu gato, que tem feridas. O que faço?

Lave bem o local com água e sabão e procure atendimento médico, contando que o gato tem feridas suspeitas. Nas pessoas, a lesão inicial costuma parecer uma picada de inseto e pode evoluir para ferida ou caroço. Enquanto isso, mantenha o gato isolado e agende a avaliação veterinária dele.

Posso mandar uma foto da ferida para saber se é esporotricose?

A foto ajuda a organizar a visita, mas não fecha diagnóstico, porque outras doenças causam feridas parecidas. A confirmação depende de exame do material da ferida. Na orientação por vídeo, explico os cuidados até a consulta, sem diagnóstico e sem receita, como determinam as regras do CFMV.

Preciso separar o gato doente dos outros animais?

Sim. Durante o tratamento, deixe o gato doente em um cômodo só dele, com caixa de areia, água e comida próprios, e sem acesso à rua. Os outros gatos da casa devem ser examinados, porque a doença passa por arranhões, mordidas e contato com as feridas.

O que fazer com um gato de rua com feridas no meu bairro?

Não tente pegar o gato sem luvas e não o afaste com violência. Comunique o serviço de controle de zoonoses da sua cidade para receber orientação sobre o que fazer. Se você costuma alimentar esse gato, evite contato direto com as feridas e lave as mãos depois de mexer nos potes.

A esporotricose passa para cães?

Pode passar, mas é bem menos comum que nos gatos. O cão geralmente se infecta depois de brigar com um gato doente e tem menos fungos nas feridas. Como as lesões podem se parecer com as de outras doenças, como a leishmaniose, o diagnóstico depende de exame.

Fontes e referências (5)
  1. PBH oferece tratamento gratuito para esporotricose em gatos — Prefeitura de Belo Horizonte (2025-09-22)
  2. Esporotricose — Prefeitura de Belo Horizonte (2026-08-13)
  3. Guia prático para enfrentamento da esporotricose felina em Minas Gerais — CRMV-MG (Revista V&Z em Minas)
  4. Esporotricose humana — Ministério da Saúde
  5. Resolução CFMV nº 1.465/2022 (telemedicina veterinária) — Conselho Federal de Medicina Veterinária (2022-06-27)

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